O que é LHON?

A Neuropatia Ótica Hereditária de Leber ou simplesmente LHON é uma doença genética mitocondrial que afeta principalmente o nervo óptico, fato que pode provocar a perda de visão na pessoa afetada.

foto comparativa - a primeira simula uma visão saudável que enxerga duas crianças com bolas coloridas, e a segunda a visão de uma pessoa com LHON, enxerga a imagem embaçada

Os sintomas se manifestam – normalmente – espontaneamente, com a perda de visão, de forma indolor. O padrão clássico é a perda de visão central de um olho e, posteriormente, em média após oito semanas, o outro olho também é afetado. No entanto, muitas variações desse padrão são possíveis. Após essa fase aguda, a perda visual grave em ambos os olhos permanece. A pessoa acometida passa a não conseguir ler textos de tamanho padrão, dirigir e reconhecer rostos. A visão periférica permanece intacta, o que significa que a pessoa afetada pode andar com independência.

Como o indivíduo afetado pela LHON muitas vezes não “parece cego”, as pessoas que estão ao seu redor não percebem quão profunda é a perda de visão.

Este vídeo filmado na Conferência LHON de 2018 oferece uma visão abrangente, com respostas para a maioria das perguntas comuns sobre as questões médicas / científicas da LHON, de dois dos médicos pesquisadores do tema:

Explicando mais a LHON

Um desafio enfrentado pelas pessoas acometidas é a falta de informação disponível sobre a doença.

Em muitos casos a cegueira é percebida como uma condição absoluta, de tudo ou nada, então as pessoas com LHON muitas vezes precisam explicar repetidamente que possuem perda visual. Uma pergunta frequente feita às pessoas com LHON é se uma intervenção cirúrgica ou transplante podem corrigir a doença. Nestes casos é importante explicar que há três aspectos-chave no sistema visual do ser humano. Este sistema, ou grupo de órgãos da visão, é composto por três elementos: os olhos, o cérebro e o nervo óptico. No caso da LHON, os olhos e o cérebro funcionam normalmente. Dessa maneira, o problema reside no funcionamento do nervo óptico, que funciona de forma semelhante a um fio que transmite informações do olho para o cérebro. Com a LHON, as células do nervo óptico sofrem um processo chamado de apoptose – morte celular precoce – o que causa a atrofia do nervo óptico. É como um cabo de TV que foi danificado. As células do nervo óptico normalmente não podem se regenerar.

Uma vez que aqueles com visão de LHON geralmente possuem visão periférica, eles tendem a usar esse resquício de visão para enxergar e realizar as atividades do dia-a-dia. Contudo, por mais que a pessoa com LHON possa realizar diversas atividades normalmente, irá sentir dificuldades em tantos outros casos aparentemente simples para uma pessoa normal. Como exemplo, podemos citar situações sociais onde a pessoa pode não reconhecer quem está ao seu redor, identificação de ruas ou ônibus, ler o cardápio do restaurante etc.

Causa

É uma doença genética mitocondrial, causada por uma mutação genética no DNA da mitocôndria. 

A mutação LHON mais comum é a mutação 11778, responsável por cerca de 60% de todos os casos de LHON. Em segundo lugar as pessoas são afetadas pela mutação 14484 ou a mutação 3460, enquanto cerca de 5-10% são uma das várias mutações restantes e muito raras.

Transmissão

A LHON é transmitida pela mãe aos filhos. Assim, a mutação afeta homens e mulheres de forma diferentes. Os homens com uma mutação LHON podem desenvolver a doença, mas nunca transmitem para próxima geração. As mulheres transmitem o gene afetado e podem desenvolver a doença, porém em casos mais raros do que os homens. Aqueles que perderam sua visão central devido à LHON são referidos como “afetados”; aqueles com uma mutação LHON em suas mitocôndrias, mas sem perda de visão, são chamados de “portadores” ou “portadores não afetados”.

Tipos de Lhon

G 11778

TQ4484c

G3460

Plus

Outros tipos

Quantas pessoas são afetadas?

Por ser uma doença rara e pouco investigada, o Brasil não possui um banco de dados com o cadastro de pessoas afetadas por LHON. Nos Estados Unidos cerca de 100 pessoas perdem a visão central devido à LHON a cada ano, juntando-se aos cerca de 4.000 estadosunidenses que já têm problema de visão devido à LHON. Além disso, milhares de pessoas carregam uma mutação genética de LHON e podem perder sua visão a qualquer momento. Estima-se que haja cerca de 35.000 pessoas em todo o mundo com perda de visão devido a LHON. Normalmente a LHON afeta os homens por volta dos 15-25 anos. As mulheres tendem a ser afetadas em uma faixa mais variada de idades, geralmente em épocas de perda de estrogênio. Todavia a perda de visão provocada pela LHON pode acontecer em qualquer idade, por isso, se você tem uma mutação LHON, você nunca é “muito jovem” ou “velho demais” para ser afetado.

Diagnóstico

Na LHON existe um padrão claro de herança genética. A mãe com DNA mitocondrial afetado transmite aos filhos. Assim, pessoas com um membro da família na linhagem de herança materna com uma mutação LHON deve esperar que se houver uma perda súbita e indolor da visão central, a causa mais provável é a LHON. No entanto, carregar a mutação LHON não significa que necessariamente o portador perca a visão central. Em verdade, a maioria dos portadores de uma mutação LHON não a doença. Apenas cerca de 50% dos homens portadores de uma mutação LHON perdem em média a visão durante a vida e cerca de 10% das mulheres. Aqueles que não estão cientes de quaisquer membros da família com LHON podem ser surpreendidos quando, de repente, perdem a visão central.

Como a LHON é uma doença rara, o especialista médico geralmente suspeita, testa e trata outras causas de perda da visão e por exclusão, define o diagnóstico da LHON. Para termos a certeza que um paciente esta acometido é necessário que se realizem diversos exames. O primeiro exame indicado é a ressonância magnética que pode ser realizada para descartar a possibilita de um tumor cerebral. Outro diagnostico que deve ser descartado é o da neurite óptica. Como a perda de visão, geralmente, começa em apenas um olho, o diagnóstico provisório de Neurite Óptica é freqüentemente feito. Assim, é comum que o médico prescreva entre um tratamento com esteróides que dura entre três e cinco dias. Na hipótese da visão não melhorar e o segundo olho também começar a perder a visão, o médico solicitará mais testes como Testes Visual Evocado e Punção Lombar (também conhecido como Spinal Tap) para descartar outras causas possíveis de perda súbita e bilateral da visão.

Um dos testes mais importantes realizados por aqueles com LHON é o teste de campo visual. Ele testa onde como olhos podem ver e onde eles não conseguem enxergar. Aqueles com LHON tendem a ter o que é chamado de escotoma central; uma área no centro do campo visual onde nenhuma informação é transmitida do olho para o cérebro.

Outro teste importante é a OCT (Tomografia de Coerência Óptica). Este teste mede a espessura do nervo óptico. Geralmente, o nervo óptico é extraordinariamente espesso no início da perda de visão, pois as fibras estão inchadas. Mais tarde, o nervo torna-se extraordinariamente fino, à medida que as fibras se atrofiam.

Todavia, somente um exame genético feito pelo sangue ou saliva pode determinar se alguém carrega uma mutação da LHON. Alguns laboratórios testam apenas as três mutações mais comuns de LHON. Outros, como o GeneDx, nos Estados Unidos, testam 20 mutações em LHON, o que inclui muitas das mutações muito raras. Clicando aqui você poderá ver a lista de centros médicos no Brasil que realizam exames e o acompanhamento de pacientes de LHON.

Uma informação importante é a de que quando um membro da família obtém resultados positivo do testes genéticos, certamente todos na linhagem materna terão a mesma mutação, fato que dispensa a realização do teste no restante da família materna.

No momento em que a pessoa sofre a perda de visão, deve consultar um profissional médico oftalmologista. Após a confirmação do diagnóstico da mutação LHON no paciente – a pessoa deve procurar um médico neuro-oftalmologista, especialidade médica que cuida do nervo óptico. É importante lembrarmos que as condições da doença são tão raras que muitos profissionais médicos não estão atualizados sobre os desenvolvimentos recentes de terapias e tratamentos para LHON. Estas pesquisas ainda são muito tímidas no brasil. Entretanto, muitos neuro-oftalmologistas e centros médicos (link) acompanham as pesquisas dos grandes centros de pesquisa em LHON no mundo. No Brasil já existem diversos centros médicos que atendem os pacientes com LHON. Separamos aqui alguns que podem te atender.

Tratamento

Sempre que houver suspeita de LHON o paciente deve procurar neuro-oftalmologista.

Como a LHON causa atrofia do nervo óptico, é mais provável que um especialista nesse campo tenha experiência com a doença. Clique aqui para encontrar no guia de Registro deste site.

Na maioria dos países, incluindo o Brasil e EUA, não há tratamento aprovado para a LHON. Na Europa, um produto chamado Raxone, fabricado pela Santhera Pharmaceuticals, foi aprovado pela Europeia Medicine Agency (EMA) para uso na fase inicial da LHON. Raxone é o tipo farmacêutico da Idebenona, uma forma sintética da Coenzima Q10.

Vários países europeus e Israel decidiram oferecer e pagar pelo Raxone para pacientes da LHON que atendam a determinados critérios. O principal ensaio clínico que levou a essa aprovação é relatado aqui:

A empresa que desenvolveu o Raxone continua a avaliar o produto através de vários ensaios clínicos, como o estudo LEROS, que busca indivíduos afetados por LHON, com uma das três principais mutações (11778, 14484, 3460).

Sobre a Idebenona (ou Idebenone)

No passado, a Idebenona (ou Idebenone) era considerada um suplemento alimentar. Alguns fornecedores de internet continuam a fornecê-lo nessa base. Por este motivo, os órgãos de fiscalização de medicamentos como o FDA nos Estados Unidos e a ANVISA no Brasil não fiscalizam sua comercialização. Por outro lado, a Idebenona não está disponível em farmácias regulares, mas somente em farmácias de manipulação e sites da internet. Na I Conferência LHON do Brasil, o médico Carlos Filipe Chicani descreveu as opções terapêuticas da LHON e quais avanços nas terapias genéticas.

Estratégias de tratamento

Pesquisas recentes sugerem que o estrogênio pode proteger as mulheres portadoras de uma mutação LHON. Mulheres portadoras de LHON e afetadas podem querer ler este artigo e discutir suas implicações com seus médicos.

LHON e artigo de estrogênio

LHON e estrogênio-vídeo

AVISO IMPORTANTE

Evite realizar “tratamentos com células tronco” para “curar” a LHON e outros transtornos mitocondriais em
instituições sem produção acadêmica e cientifica.

Até o momento alguns fatores impedem a realização da terapia genética, são eles:

1. Ainda é impossível que as células injetadas no sangue ou no líquido
cefalorraquidiano (LCR) cheguem ao local em que pertencem à retina,

2. Não há como fazer as células se tornarem Células Ganglionares da
Retina (RCGs), as células que se atrofiam no LHON;

3. Fazer novos RCGs não significa nada se eles não sabem onde seus
axônios precisam se conectar.

Cuidados

Muitos especialistas da LHON sugerem que as pessoas portadoras de uma das mutações genéticas da LHON, tanto portadoras quanto afetadas, devem evitar fatores ambientais que possam criar estresse adicional sobre a mitocôndria. Esses fatores incluem: Fumaça (todas as formas – tabaco, fogões a lenha, fogueiras, cigarros, cachimbo, charuto, maconha, incensos etc.), Álcool, Antimicrobianos (Eritromicina, Ethambutol, Linezolide, Cloranfenicol, Aminoglicosídeos, Tetraciclinas, Oxigênio Hiperbárico), Compostos Quaternários de Amônio, Lactato de Ringer.
A prática de exercícios físicos e uma alimentação moderada e equilibrada são elementos que devem ser inseridos na vida da pessoa com LHON. A prática de exercício melhora a desenvoltura da pessoa nas práticas da rotina diária, combate a depressão, diminui a fadiga típica da pessoa com LHON, além de melhorar o desempenho da respiração celular.

Confusões associadas à LHON

Por ser uma doença rara e ainda pouco pesquisada, ela é pouco conhecida pela sociedade, pelas pessoas acometidas e pela própria comunidade médica. Até mesmo o nome “LHON” pode causar confusão! A Neuropatia Óptica Hereditária de Leber – LHON é frequentemente referida pela sigla composta por suas iniciais em inglês: “L-H-O-N”. Entretanto, também é conhecida simplesmente como “Leber”, nome do médico alemão que primeiro descreveu o distúrbio (Theodoref Leber). No entanto, esse mesmo médico também descreveu uma condição ocular completamente diferente denominada Amaurose Congênita de Leber, que também é de origem genética, mas afeta a retina e não o nervo óptico. As duas condições não têm nada em comum, uma com a outra, além do nome do médico que as descobriu. Por este motivo, é importante ter certeza de que você está se referendo corretamente à Neuropatia Óptica Hereditária de Leber – LHON quando alguém lhe fala sobre a “Leber”. Essa simples informação é importante, afinal cada doença é tratada por especialidades médicas diferentes e possuem tratamentos diferentes. Ou seja, uma pessoa com Neuropatia Óptica Hereditária de Leber – LHON deve procurar o neuro-oftalmologista. A pessoa acometida por Amaurose Congênita de Leber deve ser acompanhada por um médico retinólogo.

Contato

Instituto Reconvexo

reconvexo@ireconvexo.com.br

+55 (11) 99547-3306

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