O que é LHON?

A Neuropatia Ótica Hereditária de Leber, ou simplesmente LHON, é uma condição genética mitocondrial que afeta principalmente o nervo óptico, fato que pode levar a perda de visão na pessoa afetada.

foto comparativa - a primeira simula uma visão saudável que enxerga duas crianças com bolas coloridas, e a segunda a visão de uma pessoa com LHON, enxerga a imagem embaçada

foto comparativa – a primeira simula uma visão saudável que enxerga duas crianças com bolas coloridas, e a segunda a visão de uma pessoa com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON, enxerga a imagem embaçada.

A perda da visão ocorre, na maioria dos casos, de forma espontânea e indolor, atingindo a região central do campo visual. No padrão clássico de manifestação, apenas um olho é afetado em um primeiro momento e, após oito semanas aproximadamente, o outro olho é afetado. No entanto, podem ocorrer variações deste padrão. Após a fase aguda, permanece a perda visual grave em ambos os olhos. A perda da visão central impossibilita a realização de atividades cotidianas tais como a leitura de textos com a fonte de tamanho padrão, dirigir veículos automotores e reconhecer rostos. Contudo, a visão periférica é menos afetada, o que significa que a pessoa afetada pode manter certa independência.

Campo visual de escala cinzenta, 3 meses após o início da perda visual, mostrando escotoma centrocaecal (perda da definição da imagem). Após 3 meses, em geral, a pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON pode começar a perder a visão central.

Campo visual de escala cinzenta, 3 meses após o início da perda visual, mostrando escotoma centrocaecal (perda da definição da imagem). Após 3 meses, em geral, a pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON pode começar a perder a visão central.

Link da imagem: https://www.nature.com/articles/6700362/figures/1acesso em 12 de junho de 2020.

Como o indivíduo afetado pela Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON muitas vezes não “parece cego”, as pessoas que estão ao seu redor não percebem quão profunda é a perda de visão.

Este vídeo filmado na Conferência LHON de 2018 oferece uma visão abrangente, com respostas para a maioria das perguntas comuns sobre as questões médicas / científicas da LHON, de dois dos médicos pesquisadores do tema:

Explicando mais a LHON

Esta sessão ajudará você a entender algumas questões básicas sobre essa condição rara. 

Um desafio enfrentado pelas pessoas vivendo ou convivendo com a Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON é a falta de informação disponível sobre a doença.

 

OBS.: Esta sessão foi recentemente ampliada com informações sobre as mais recentes pesquisas sobre a Lhon e a Lhon Plus. Alguns pontos podem parecer muito técnicos para o público geral, para apoiar-nos a melhorar a acessibilidade desta sessão por favor coloque aqui sua dúvida.

Socialmente, muitas vezes, a cegueira é percebida como uma condição absoluta, de tudo ou nada. Os estereótipos que vem à mente podem variar:  ou aquele da pessoa acompanhada com o cão guia, ou com o bastão, ou até mesmo alguém lendo em linguagem braile. A Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON é uma condição que não implica em restrições perceptíveis de mobilidade ou de atividades cotidiana, ou seja, a pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON não tem algum traço físico que alguém possa facilmente notar.

Além disso, por ser uma condição que ocorre, em sua maioria, em jovens ou adultos, a grande parte dos acometidos já sabe ler e escrever quando é afetado.  Ademais, a perda da visão pode não ser completa:  uma vez que aquelas pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON geralmente possuem visão periférica, eles tendem a usar esse resquício de visão para enxergar e realizar as atividades do dia-a-dia. Isso quer dizer que as pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON precisam explicar constantemente que possuem perda visual. Contudo, por mais que a pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON possa realizar diversas atividades normalmente, ela irá sentir dificuldades em tantas situações aparentemente simples para uma pessoa de visão normal. Como exemplo, podemos citar situações sociais onde a pessoa pode não reconhecer quem está ao seu redor, identificação de ruas ou ônibus, ler o cardápio do restaurante etc. Por isso, a pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON é comumente identificada como alguém com visão parcial. 

Saiba mais sobre as diferentes formas de perda visual e seu impacto na vida das pessoas com deficiência visual neste artigo, que descreve as características das pessoas com deficiência visual que participaram dos Grupos de Reabilitação Visual.  A pesquisa conclui que as principais causas de deficiência visual foram a retinopatia diabética, glaucoma, neurite óptica e queratocono. Algumas funções e estruturas do corpo, desempenho e capacidades nas atividades e participação, facilitadores ou limitadores de fatores ambientais foram destacados no estudo, permitindo a descrição das características de cada participante através da funcionalidade e da melhoria do planejamento terapêutico. Foram apresentadas as tecnologias assistivas, os meios ópticos e não ópticos utilizados e os seus benefícios quotidianos. Uma conclusão importante do artigo é que a perda visual, a qualquer nível, conduziu a deficiências funcionais, limitando e restringindo a participação e desempenho nas atividades diárias, interferindo com a independência, autonomia e qualidade de vida dos indivíduos. Contudo, a utilização de ajudas ópticas, ajudas não ópticas e adaptações ambientais revelaram-se benéficas para aumentar a funcionalidade, mostrando a influência de fatores externos no desempenho. Conhecer e reconhecer a existência da diversidade no universo da deficiência visual permite-nos compreender quem é o indivíduo cuidado, evitando a generalização pela condição visual. Especialmente para quem convive com alguém acometido por uma condição como a Lhon e a Lhon Plus, é importante reconhecer as dificuldades advindas dessa perda parcial da visão, aceitando que a pessoa com a visão debilitada não está “fingindo que não enxerga” ou “aumentando” as impossibilidades. O apoio e reconhecimento dos familiares é essencial para que a pessoa acometida sinta que pode superar as dificuldades da enfermidade.

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72802014000500291&lang=pt , acesso em 12 de junho de 2020.

Uma das perguntas mais frequentes que o paciente acometido com Lhon e seus familiares têm que responder é se pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON poderiam ser curadas com intervenção cirúrgica ou transplante. É importante explicar que há três aspectos-chave no sistema visual do ser humano. Este sistema, ou grupo de órgãos da visão, é composto por três elementos: os olhos, o cérebro e o nervo óptico. No caso da Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON, os olhos e o cérebro funcionam normalmente. Dessa maneira, o problema reside no funcionamento do nervo óptico, que funciona de forma semelhante a um fio que transmite informações do olho para o cérebro. Com a Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON, as células do nervo óptico sofrem um processo chamado de apoptose – morte celular precoce – o que causa a atrofia do nervo óptico. É como um cabo de TV que foi danificado. Caso sofram apoptose, as células do nervo óptico normalmente não podem se regenerar.

Causa

É uma condição causada por uma mutação genética no DNA da mitocôndria. 

A mutação LHON mais comum é a mutação 11778, responsável por cerca de 60% de todos os casos de LHON. Em segundo lugar as pessoas são afetadas pela mutação 14484 ou a mutação 3460, enquanto cerca de 5-10% são uma das várias mutações restantes e muito raras. Resulta morbidez visual entre os jovens adultos. É o resultado de uma disfunção mitocondrial, de mutações do ADN mitocondrial primário (mtDNA) que afeta os complexos da cadeia respiratória. A maioria das famílias têm mutações no gene OPA1, que codifica para uma proteína da membrana mitocondrial interna crítica para manutenção do DNA e da fosforilação oxidativa. Fatores genéticos e ambientais adicionais modulam a penetração de LHON. A vulnerabilidade seletiva do gânglio da retina células (RGCs) é uma característica patológica fundamental e de compreensão os mecanismos fundamentais que estão na base de perda do RGC são um pré-requisito para a desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes, que são atualmente limitados.

Para saber mais veja: https://jmg.bmj.com/content/jmedgenet/46/3/145.full.pdf

Transmissão

As mutações genéticas que podem dar origem à Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON são transmitidas pela mãe aos filhos. Assim, a mutação afeta homens e mulheres de forma diferentes. Os homens com uma mutação LHON podem desenvolver a doença, mas nunca transmitem para seus filhxs. As mulheres transmitem o gene afetado e podem desenvolver a doença, porém muito raramente. Aqueles que perderam sua visão central devido a Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON são referidos como “afetados”; aqueles com uma mutação LHON em suas mitocôndrias, mas sem perda de visão, são chamados de “portadores” ou “portadores não afetados”.

Na Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON existe um padrão claro de herança genética. A mãe com DNA mitocondrial afetado transmite aos filhos. Assim, pessoas com um membro da família na linhagem de herança materna com uma mutação LHON deve esperar que se houver uma perda súbita e indolor da visão central, a causa mais provável é a Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON. No entanto, carregar a mutação LHON não significa que necessariamente o portador perca a visão central. Em verdade, a maioria dos portadores de uma mutação LHON não desenvolvem os sintomas. Apenas cerca de 50% dos homens e 10% das mulheres portadores de uma mutação LHON perdem a visão. Aqueles que não estão cientes de quaisquer membros da família com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON podem ser surpreendidos com o aparecimento dos sintomas.

Tipos de Lhon

G 11778

TQ4484c

G3460

Outros tipos

Quantas pessoas são afetadas?

Para chegar a um diagnóstico que identifique a Lhon ou Lhon Plus, a pessoa acometida irá passar por diversas fases, desde a suspeita até a confirmação. O mais provável é que se consultem diversos médicos e que muitos exames sejam feitos.

Em alguns casos chegar ao diagnóstico pode ser mais fácil, como por exemplo, quando há contexto de uma história familiar conhecida de doença genética mitocondrial. Isso quer dizer que se alguém na família é acometido, o caminho até o diagnóstico pode ser um pouco mais curto, já que o médico pode usar esse histórico familiar para direcionar a busca por possíveis enfermidades relacionadas aos sintomas. 

Contudo, sem um histórico familiar, as coisas costumam ser diferentes entre o aparecimento dos sintomas e o diagnóstico da doença.

Além disso, mesmo se há suspeita de Lhon, o aparecimento de alterações nervosas ópticas características, tais como as descritas neste site, pode levar a um diagnóstico provisório, mas a Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- _LHON é de fato confirmada com testes genéticos. 

Outro complicador é o de que se o paciente somente for diagnosticado na fase tardia da Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON, a identificação da enfermidade pode ser ainda mais difícil, já que nessa fase, pode se apresentar atrofia óptica ou palidez da cabeça do nervo, sintoma que também se apresenta em outras condições de perda visual parcial. Nesta seção, explicamos alguns dos exames e fases pelas quais a pessoa com Lhon pode passar entre o aparecimento dos sintomas, suspeita de Lhon e até chegar ao diagnóstico final que confirma a enfermidade.

Diagnóstico

Na LHON existe um padrão claro de herança genética. A mãe com DNA mitocondrial afetado transmite aos filhos. Assim, pessoas com um membro da família na linhagem de herança materna com uma mutação LHON deve esperar que se houver uma perda súbita e indolor da visão central, a causa mais provável é a LHON. No entanto, carregar a mutação LHON não significa que necessariamente o portador perca a visão central. Em verdade, a maioria dos portadores de uma mutação LHON não a doença. Apenas cerca de 50% dos homens portadores de uma mutação LHON perdem em média a visão durante a vida e cerca de 10% das mulheres. Aqueles que não estão cientes de quaisquer membros da família com LHON podem ser surpreendidos quando, de repente, perdem a visão central.

Como a LHON é uma doença rara, o especialista médico geralmente suspeita, testa e trata outras causas de perda da visão e por exclusão, define o diagnóstico da LHON. Para termos a certeza que um paciente esta acometido é necessário que se realizem diversos exames. O primeiro exame indicado é a ressonância magnética que pode ser realizada para descartar a possibilita de um tumor cerebral. Outro diagnostico que deve ser descartado é o da neurite óptica. Como a perda de visão, geralmente, começa em apenas um olho, o diagnóstico provisório de Neurite Óptica é freqüentemente feito. Assim, é comum que o médico prescreva entre um tratamento com esteróides que dura entre três e cinco dias. Na hipótese da visão não melhorar e o segundo olho também começar a perder a visão, o médico solicitará mais testes como Testes Visual Evocado e Punção Lombar (também conhecido como Spinal Tap) para descartar outras causas possíveis de perda súbita e bilateral da visão.

Um dos testes mais importantes realizados por aqueles com LHON é o teste de campo visual. Ele testa onde como olhos podem ver e onde eles não conseguem enxergar. Aqueles com LHON tendem a ter o que é chamado de escotoma central; uma área no centro do campo visual onde nenhuma informação é transmitida do olho para o cérebro.

Outro teste importante é a OCT (Tomografia de Coerência Óptica). Este teste mede a espessura do nervo óptico. Geralmente, o nervo óptico é extraordinariamente espesso no início da perda de visão, pois as fibras estão inchadas. Mais tarde, o nervo torna-se extraordinariamente fino, à medida que as fibras se atrofiam.

Todavia, somente um exame genético feito pelo sangue ou saliva pode determinar se alguém carrega uma mutação da LHON. Alguns laboratórios testam apenas as três mutações mais comuns de LHON. Outros, como o GeneDx, nos Estados Unidos, testam 20 mutações em LHON, o que inclui muitas das mutações muito raras. Clicando aqui você poderá ver a lista de centros médicos no Brasil que realizam exames e o acompanhamento de pacientes de LHON.

Uma informação importante é a de que quando um membro da família obtém resultados positivo do testes genéticos, certamente todos na linhagem materna terão a mesma mutação, fato que dispensa a realização do teste no restante da família materna.

No momento em que a pessoa sofre a perda de visão, deve consultar um profissional médico oftalmologista. Após a confirmação do diagnóstico da mutação LHON no paciente – a pessoa deve procurar um médico neuro-oftalmologista, especialidade médica que cuida do nervo óptico. É importante lembrarmos que as condições da doença são tão raras que muitos profissionais médicos não estão atualizados sobre os desenvolvimentos recentes de terapias e tratamentos para LHON. Estas pesquisas ainda são muito tímidas no brasil. Entretanto, muitos neuro-oftalmologistas e centros médicos (link) acompanham as pesquisas dos grandes centros de pesquisa em LHON no mundo. No Brasil já existem diversos centros médicos que atendem os pacientes com LHON. Separamos aqui alguns que podem te atender.

LHON é coisa rara

Como a Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON é uma condição rara, o especialista médico geralmente suspeita, testa e trata outras causas de perda da visão e por exclusão, define o diagnóstico da Neuropatia Ótica Hereditária de Leber -LHON. Para termos a certeza de que uma pessoa está acometida é necessário que se realizem diversos exames. O primeiro exame indicado é a ressonância magnética que pode ser realizada para descartar a possibilidade de um tumor cerebral. Outro diagnóstico que deve ser descartado é o da neurite óptica. Como a perda de visão, geralmente, começa em apenas um olho, é frequente o diagnóstico provisório de Neurite Óptica (inflamação do nervo óptico). Assim, é comum que o médico prescreva entre um tratamento com corticoides por alguns dias. Na hipótese de a visão não melhorar e o segundo olho também ser afetado, o médico solicitará mais testes como Testes Visual Evocado e Punção Lombar para descartar outras causas possíveis de perda súbita e bilateral da visão – que é quando, sem nenhuma causa aparente, o paciente começa a perder a capacidade de enxergar.

Potenciais evocados

Os Potenciais Evocados são um conjunto de testes neurofisiológicos do sistema nervoso que avalia funcionalmente os feixes/vias nervosas do Sistema Nervoso Central e Periférico.

O exame físico da pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber –LHON apresenta nervo óptico com telangiectasias peripapilares e aspecto pseudoedematoso. Essas alterações só podem ser vistas pelo médico neuro-oftamologista. Dessa forma, mesmo que o médico habitual do paciente tenha pedido o exame, outro especialista será necessário para ler e interpretar os resultados, e é esse especialista que encaminhará o paciente para as próximas fases do diagnóstico.

Como já foi dito aqui a acuidade visual pode ser ligeiramente reduzida nas fases iniciais do Lhon, mas em geral vai progredir e a partir daí o individuo acometido apresentará certas dificuldades, como para contar os dedos com um ou ambos os olhos. Entre o momento em que um dos olhos apresenta sintoma e o momento em que o segundo olho começa a ser afetado, um defeito pupilar aferente pode ser notado quando a atividade da doença é assimétrica. Neste momento, os testes de cor revelam uma diminuição da discriminação vermelho-verde. A motilidade ocular,  movimentação ocular e a percepção de estímulos visuais, é tipicamente intacta e os campos visuais de confrontação podem revelar uma visão periférica intacta. No entanto, os escotomas centrais ou cecocentrais podem ser descritos e mais claramente delineados com testes formais de campo visual . Em pessoas com sintomas em um só olho (unilaterais), os testes formais de campo visual podem apresentar déficits visuais subclínicos que outros exames não captaram. A sensibilidade de contraste reduzida (a pessoas tem mais dificuldade em enxergar com menos contrastes) e o eletrorretinograma subnormal (exame que avalia a resposta retiniana aos estímulos luminosos) também estão presentes. 

O exame do segmento anterior com a lâmpada-de-fenda é geralmente normal. O exame do fundo dilatado pode ser normal, ou revelar nervos ópticos “pseudo-edematosos” (aparecem na imagem como se estivessem inchados) hiperemicos (processo ativo pelo qual uma maior quantidade de sangue necessária à uma área é levada até ela), com telangiectasias peripapilares (microvasos situados à volta da papila ótica). A tortuosidade das arteríolas da retina pode também estar presente. Embora as cabeças dos nervos ópticos pareçam elevadas e edematosas, não apresentam fugas no angiograma da fluoresceína, ao contrário das afetadas por doença inflamatória. Isso quer dizer que esse exame pode indicar ao especialista que outra condição está eliminada, e levar a outro exame, o genético, que levará ao diagnóstico final.

Outros exames, testes e procedimentos a caminho de um diagnóstico

Angiografia ou angiograma é o método de realização de um exame radiográfico dos vasos sanguíneos, por meio da injeção de contraste radiopaco no ambiente intravascular.

O angiograma com fluoresceína pode ser realizado para excluir um verdadeiro edema do nervo óptico. Isso porque nesse exame, no caso de Lhon, não se observa qualquer fuga de corante ao longo das bordas de uma cabeça do nervo óptico que, de outro modo, se apresentaria inchada. 

A Tomografia de Coerência Óptica (TCO) é uma nova tecnologia de imagem baseada em interferometria de baixa coerência, que utiliza a dispersão de luz quase infravermelha como uma fonte de sinal para fornecer 
imagens transversais vasculares com definição muito superior à de qualquer outra modalidade disponível. Tem capacidade de fornecer um entendimento das várias fases da doença aterosclerótica e a resposta vascular ao tratamento, fornecendo uma resolução próxima à histologia. As imagens obtidas por TCO permitem aos médicos visualizar e medir importantes características dos vasos para colocação do stent.

A tomografia de coerência óptica (TCO) do nervo óptico pode mostrar elevação nas fases iniciais da doença, ou atrofia em fases posteriores. 

Um dos testes mais importantes realizados por aqueles que vivem com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber -LHON.  LHON é o teste de campo visual, que detecta a extensão da área em que o olho pode captar uma imagem, e onde já não se tem mais essa capacidade. Aqueles com aqueles que vivem com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON tendem a ter o que é chamado de escotoma central; uma área no centro do campo visual onde nenhuma informação é transmitida do olho para o cérebro.

A campimetria visual é feita com o paciente sentado e com o rosto colado ao aparelho medidor, chamado campímetro, que emite pontos de luz em diferentes lugares e com diferentes intensidades no campo de visão do paciente.

Durante o teste, uma luz no fundo do aparelho é emitida para que o paciente mantenha a visão focada nela. Assim, ele terá que acionar uma campainha em sua mão à medida que conseguir identificar os novos pontos de luz que surgem, mas sem movimentar os olhos para os lados, encontrando as luzes apenas com a visão periférica.

A campimetria é um exame que avalia problemas de visão e áreas sem visão do campo visual, indicando se existe cegueira em alguma região do olho, mesmo que o paciente não perceba o problema.

Abaixo a campimetria de uma pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON com quatro anos de sintomas.

campimetria de uma pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON com quatro anos de sintomas.
campimetria de uma pessoa vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON com quatro anos de sintomas.

Tomografia de Coerência Óptica – TCO

Outro teste importante é a TCO (Tomografia de Coerência Óptica). Este teste mede a espessura do nervo óptico. Geralmente, o nervo óptico é extraordinariamente espesso no início da perda de visão, pois as fibras estão inchadas. Mais tarde, o nervo torna-se extraordinariamente fino, à medida que as fibras se atrofiam.

A avaliação da camada de fibras nervosas da retina tem grande importância no diagnóstico e acompanhamento de várias afecções da via óptica anterior.

Representação esquemática da camada de fibras nervosas da retina originárias da hemirretina temporal (em sul) e aquelas da hemirretina nasal (em vermelho)

Neste artigo você pode conferir todas as informações sobre o TCO os principais métodos de análise clínica e instrumental da camada de fibras nervosas da retina. (https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72802012000200010)

A seguir reunimos os principais achados encontrados nas afecções da via óptica anterior incluindo lesões inflamatórias, isquêmicas, tóxicas, hereditárias, compressivas e traumáticas do nervo óptico, as lesões do quiasma óptico, as do trato óptico e aquelas do corpo geniculado lateral, as quais são comuns na condição dos portadores de Lhon e Lhon-Plus.

Este exame pode descrever as alterações no complexo de células ganglionares da retina (GCC) relativamente à camada de fibras nervosas da retina (RNFL) ao longo do tempo em doentes com neuropatia óptica hereditária Leber (LHON).

 

Foto do nervo óptico de pessoa que vive com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber após 1 ano de diagnóstico de Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON.

Foto do nervo óptico de pessoa que vive com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber após 1 ano de diagnóstico de Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON.

A tomografia de coerência óptica de alta definição (TCO) demonstra os eventos que ocorrem na cabeça do nervo óptico em Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON, incluindo uma 

Como resultado de uma lesão axonal difusa, as células cerebrais e do nervo óptico  podem morrer, causando inchaço e aumentando a pressão na região (pressão intracraniana). A pressão aumentada pode agravar a lesão ao diminuir o fornecimento de sangue para o cérebro ou nervo óptico.

A lesão axonal ocorre antes e durante o tempo da perda visual. 

O exame de  TCO detecta claramente a atrofia da camada de fibras nervosas (RNFL) após o evento agudo, que na maioria dos casos está confinada ao feixe maculopapilar (feixe de fibras nervosas entre a mácula e o disco óptico). Um novo algoritmo da TCO permite identificar e medir o complexo de células ganglionares (CCG)..

As células ganglionares constituem a única saída de informações visuais da retina, uma vez que seus axônios se unem e formam o nervo óptico. Esse tipo celular recebe contatos diretos de células bipolares e células amácrinas formando as chamadas tríades sinápticas.

A TCO em pessoas com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON demosntra onde as alterações do CCG se encaixam na sequência de eventos desde a fase aguda inicial até às fases aguda e crónica tardias no que respeita à acuidade visual, campos visuais e achados funduscópicos.

Por vezes o diagnóstico de aqueles que vivem com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber -LHON pode ser um desafio, especialmente quando os achados típicos de fundo da camada de fibras nervosas da retina inchaço e telangiectasias não são aparentes. As alterações do CCG em relação ao RNFL que identificamos podem ser úteis no diagnóstico precoce do aqueles que vivem com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON.

Fonte: Barboni P, Savini G, Valentino ML, Montagna P, Cortelli P, De Negri AM, Sadun F, Bianchi S, Longanesi L, Zanini M, de Vivo A, Carelli V.. Retinal nerve fiber layer evaluation by optical coherence tomography in Leber’s hereditary optic neuropathy. Ophthalmology 2005;112:120–126.  

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15629831

EXAME GENÉTICO

Somente um exame genético, feito pelo sangue ou saliva pode determinar se alguém carrega uma mutação da LHON. Alguns laboratórios testam apenas as três mutações mais comuns de LHON. Outros, como o GeneDx, nos Estados Unidos, testam 20 mutações em LHON, o que inclui muitas das mutações muito raras. Clicando aqui você poderá ver a lista de centros médicos no Brasil que realizam exames e o acompanhamento de pessoas que vivem com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber – LHON.

Uma informação importante é a de que quando um membro da família obtém resultados positivo dos testes genéticos, certamente todos na linhagem materna terão a mesma mutação, fato que dispensa a realização do teste no restante da família materna.

Os testes genéticos são um tipo de teste médico que identifica alterações nos cromossomas, genes ou proteínas. Os resultados de um teste genético podem confirmar ou excluir uma suspeita de doença genética ou ajudar a determinar as hipóteses de uma pessoa desenvolver ou transmitir uma doença genética. Estão atualmente a ser utilizados mais de 1 000 testes genéticos para diagnosticar doenças e condições genéticas. A Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON é uma dessas condições genéticas que é confirmada a partir de testes genéticos.

O que fazer?

No momento em que a pessoa sofre a perda de visão, deve consultar um médico oftalmologista. Após a confirmação do diagnóstico da mutação LHON a pessoa deve procurar um médico neuro-oftalmologista, especialidade médica que cuida do nervo óptico. É importante lembrarmos que as condições da doença são tão raras que muitos profissionais médicos não estão atualizados sobre os desenvolvimentos recentes de terapias e tratamentos para LHON. Estas pesquisas ainda são muito tímidas no Brasil. Entretanto, muitos neuro-oftalmologistas e centros médicos (link) acompanham as pesquisas dos grandes centros de pesquisa em Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON no mundo. No Brasil já existem diversos centros médicos que atendem os pacientes com LHON. Separamos aqui alguns que podem te atender.

Tratamento

Sempre que houver suspeita de Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON a pessoa deve procurar um neuro-oftalmologista.

Como a Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON causa atrofia do nervo óptico, é mais provável que um especialista nesse campo tenha experiência com a doença. Clique aqui para encontrar no guia de Registro deste site.

Na maioria dos países, incluindo o Brasil e EUA, não há tratamento aprovado para a Neuropatia Ótica Hereditária de Leber -LHON. Na Europa, um produto chamado Raxone, fabricado pela Santhera Pharmaceuticals, foi aprovado pela Europeia Medicine Agency (EMA) para uso na fase inicial da Neuropatia Ótica Hereditária de Leber -LHON. Raxone é o tipo farmacêutico da Idebenona, uma forma sintética da Coenzima Q10.

Vários países europeus e Israel decidiram oferecer e pagar pelo Raxone para pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON que atendam a determinados critérios. O principal ensaio clínico que levou a essa aprovação é reproduzido aqui:

No resumo do Relatório Público Europeu de Avaliação relativo ao Raxone é explicado como a Agência europeia avaliou o medicamento para recomendar sua autorização na União Europeia e suas condições de uso. Raxone é um medicamento usado para tratar a deficiência visual em adultos e adolescentes com 12 anos ou mais de idade com neuropatia óptica hereditária de Leber (LHON), uma doença hereditária caracterizada por perda progressiva da visão. Raxone contém a substância ativa idebenona.

Como o número de pacientes com neuropatia óptica hereditária de Leber é baixo, a doença é considerada ‘rara’ e Raxone foi designado como ‘ medicamento órfão ‘ (medicamento usado em doenças raras) em 15 de fevereiro de 2007.

Raxone é um ‘ medicamento híbrido ‘. Isto significa que é semelhante a um “medicamento de referência” que contém a mesma substância ativa , mas o Raxone contém idebenona com uma força diferente. O medicamento de referência para Raxone é Mnesis (comprimidos de 45 mg).

 

O Raxone só pode ser obtido mediante receita médica e o tratamento deve ser iniciado e supervisionado por um médico com experiência em LHON. Raxone está disponível em comprimidos de 150 mg e a dose recomendada é de dois comprimidos tomados três vezes ao dia com alimentos. 

substância ativa do Raxone, a idebenona, é um agente antioxidante que atua nas mitocôndrias (as estruturas no interior das células que produzem a energia necessária para o funcionamento das células). Os pacientes afetados pelo LHON apresentam mutações (defeitos) no material genético das mitocôndrias. Isso significa que as mitocôndrias não funcionam adequadamente para gerar energia e produzem formas tóxicas de oxigênio (radicais livres) que danificam as células nervosas nos olhos necessárias para a visão. Pensa-se que a idebenona ajude a melhorar a produção de energia, restaurando a função mitocondrial, evitando assim os danos celulares e a perda de visão observada no LHON. 

O Raxone foi investigado em um estudo principal envolvendo 85 pacientes com LHON, no qual foi comparado com um placebo (tratamento simulado) por 24 semanas. O principal parâmetro de eficácia foi a melhoria da visão, baseada principalmente no número de letras que os pacientes foram capazes de ler em um gráfico de teste oftalmológico padrão. No final do estudo, os pacientes tratados com Raxone conseguiram ler, em média, de 3 a 6 letras a mais em comparação com os pacientes que receberam placebo. Além disso, alguns pacientes que foram classificados como ‘fora do prontuário’ (incapazes de ler qualquer letra no prontuário) no início do estudo conseguiram ler pelo menos uma linha durante o exame oftalmológico após o tratamento, o que também foi considerado clinicamente importante . Além disso, 30% dos pacientes tratados com Raxone (16 em 53) tiveram uma recuperação da visão clinicamente relevante em pelo menos um olho, em comparação com 10% dos pacientes (3 em 29) no grupo placebo.

Dados adicionais de suporte sobre os benefícios do Raxone vieram de um programa de acesso expandido, através do qual o Raxone foi disponibilizado para pacientes individuais que não participavam de um estudo clínico e de uma pesquisa de registro de caso, que incluiu dados de pacientes com LHON que não receberam nenhum tratamento .

 

Os efeitos secundários mais frequentes associados ao Raxone (que podem afetar mais de 1 em cada 10 pessoas) são nasofaringite e tosse; diarréia leve a moderada e dores nas costas também são comuns (afetando até 1 em cada 10 pessoas).

Para a lista completa dos efeitos secundários e restrições de utilização com Raxone, consulte o FolhetoInformativo.

 

Comitê de Medicamentos para Uso Humano ( CHMP ) da Agência decidiu que os benefícios do Raxone são maiores que seus riscos e recomendou que ele fosse aprovado para uso na UE.

O Comitê observou a falta de tratamentos para prevenir ou reverter a perda de visão em pacientes com LHON. Os resultados do estudo principal mostraram uma melhora na visão em pacientes tratados com Raxone, e essa tendência a um efeito benéfico foi confirmada por dados adicionais de um programa de acesso expandido e uma pesquisa de registro de caso. No que diz respeito à segurança de Raxone, a maioria dos efeitos colaterais observados com o medicamento foram de intensidade leve ou moderada.

A Raxone foi autorizada em ” circunstâncias excepcionais “. Isso ocorre porque não foi possível obter informações completas sobre o Raxone devido à raridade da doença. Todos os anos, a Agência Europeia de Medicamentos revisará qualquer nova informação disponível e este resumo será atualizado conforme necessário.

 Como o Raxone foi aprovado em circunstâncias excepcionais , a empresa que comercializa o Raxone realizará estudos adicionais sobre os efeitos a longo prazo e a segurança do Raxone e estabelecerá e manterá um registro de pacientes com LHON tratados com Raxone. 

Um plano de gerenciamento de riscos foi desenvolvido para garantir que o Raxone seja usado da maneira mais segura possível. Com base nesse plano, as informações de segurança foram incluídas no resumo das características do produto e no folheto informativo da Raxone, incluindo as precauções apropriadas a serem seguidas pelos profissionais de saúde e pacientes. A Comissão Europeia concedeu uma Autorização de Introdução no Mercado, válida para toda a União Europeia, para a Raxone em 8 de setembro de 2015.

Para mais informações sobre o tratamento com o Raxone, leia o Folheto Informativo (também parte do EPAR) ou contacte o seu médico ou farmacêutico.

 Para informações práticas sobre o uso de Raxone, os pacientes devem ler o folheto informativo ou entrar em contato com seu médico ou farmacêutico.

A empresa que desenvolveu o Raxone continua a avaliar o produto através de vários ensaios clínicos, como o estudo LEROS, que busca indivíduos afetados por LHON, com uma das três principais mutações (11778, 14484, 3460).

Sobre a Idebenona (ou Idebenone)

No passado, a Idebenona (ou Idebenone) era considerada um suplemento alimentar. Alguns fornecedores de internet continuam a fornecê-lo nessa base. Por este motivo, os órgãos de fiscalização de medicamentos como o FDA nos Estados Unidos e a ANVISA no Brasil não fiscalizam sua comercialização. Por outro lado, a Idebenona não está disponível em farmácias regulares, mas somente em farmácias de manipulação e sites da internet. Na I Conferência LHON do Brasil, o médico Carlos Filipe Chicani descreveu as opções terapêuticas da Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON e quais avanços nas terapias genéticas.

Compartilhamos aqui um estudo da bioenergética cerebral e muscular in vivo em um indivíduo do sexo masculino com neuropatia óptica hereditária de Leber -LHON e mutação do mtDNA a 11 778 bp que desenvolveu paraparesia espástica com lesões de matéria branca em imagens de RM do cérebro. O estudo foi realizado antes e durante o tratamento com idebenona (135 mg t.i.d.) e após a retirada. A melhoria e o agravamento clínicos foram associados a alterações paralelas da bioenergética do cérebro e do músculo esquelético após a administração ou a retirada da idebenona. A reversão da paraparesia por idebenona foi acompanhada pela normalização do 31P-MRS, do lactato sérico e da condução motora central. A disfunção neurológica extra-ocular em LHON pode ser passível de tratamento por quinonas adequadas. Isso basicamente quer dizer que o estudo aponta que o uso do idebenona fez com que a visão dos indivíduos que participaram do teste melhorasse.

Quinonas são compostos de ampla distribuição natural, caracterizados pela presença de anéis quinonóidicos e divididos em três subgrupos devido os diferentes sistemas aromáticos que os sustentam, são eles os grupos das benzoquinonas, das naftoquinonas e das antraquinonas. Estes compostos se apresentam funcionais em diversos organismos vivos, podendo ser encontrados desde plantas (no processo de fotossíntese) até o organismo humano (agindo na flora intestinal e na coagulação sanguínea) [1].

Atualmente, conhece-se uma grande variedade de compostos deste grupo e isto se deve ao elevado teor isomérico deles, ou seja, a capacidade de um composto quinonóidico apresentar, em geral, pelo menos um isômero. As propriedades químicas e eletrônicas das quinonas são estudadas há mais de um século. Considera-se que estes compostos possuem diversas particularidades e  atribui-se sua efetiva participação em processos biológicos ao seu caráter oxidativo [2] [1].  

As quinonas são altamente reconhecidas por suas atuações antitumorais, viruscidas, microbicidas e outras mais. Nesta família, os principais derivados com atividades biológicas diversas e efetivas são as 1,4 – naftoquinonas, pois se tornam mais estáveis com os ligantes nestas posições [1] [3].

No grupo das naftoquinonas, caracterizadas por um anel quinonóidico sustentado por anéis naftalênicos, pode-se apresentar diversos exemplos de compostos. Entre eles, o lapachol (encontrado no caule de árvores do grupo das tabeluias) e a vitamina K em suas diversas formas (filoquinona, menaquinona e menadiona). Enquanto no grupo dasbenzoquinonas, pode-se considerar a ciclohexanodiona, de fórmula química C6H4O2. Os dois isómeros da ciclohexanodiona deste composto são a orto-benzoquinona (benzoquin-1,2-ona) e a para-benzoquinona (benzoquin-1,4-ona). O último grupo, das antraquinonas, tem como representantes compostos como a xiloidona, que possui um anél quinonóidico sustentado por anéis antracênicos

Fonte: https://www.jns-journal.com/article/S0022-510X(96)00311-5/fulltext#back-BIB1, acesso em 24 de junho de 2020.

A idebenona é o primeiro medicamento aprovado para Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON. É uma benzoquinona de cadeia curta, análoga à coenzima Q10.

Coezima Q10 é uma molécula lipossolúvel produzida pelo organismo humano. Está presente na carne bovina, sardinha, espinafre e amendoim. O envelhecimento, os maus hábitos alimentares, o estresse e infecções afetam a nossa capacidade de fornecer quantidades adequadas de Coenzima Q10. Portanto a suplementação é importante para o bom funcionamento do nosso organismo.
Uma das principais funções da Coenzima q10 é atuar como um eficiente antioxidante, agindo diretamente contra os radicais livres, destruindo essas moléculas responsáveis por doenças cardíacas e pelo envelhecimento precoce.
A deficiência de Coenzima Q10 pode causar mutações genéticas e síndrome nefrótica.

 

Benefícios em estudo da coenzima Q10:

 

1. Controle do colesterol e triglicérides:

Em 2018, um estudo feito com 80 mulheres iranianas, todas com diabetes tipo 2, analisou os efeitos da coenzima Q10. Durante 12 semanas, foram administradas 100 mg por dia da substância para 36 participantes e as outras 44 mulheres receberam placebo. A pesquisa identificou que, no grupo que recebeu o nutriente, houve uma redução na resistência à insulina, na ferritina, no colesterol total e no colesterol LDL, ao mesmo tempo que o colesterol HDL aumentou significativamente. Além disso, o nível dos triglicerídeos no sangue também reduziu no grupo que recebeu o suplemento.

2.Redução dos radicais livres:

Um outro estudo, também realizado em 2018, feito na Itália, analisou 21 homens atletas e jovens, que receberam suplementação com coenzima Q10 (200 mg/dia) durante 1 mês. Esses participantes foram comparados com um outro grupo que recebeu placebo. Antes e após uma sessão de exercício intenso (40 minutos de corrida) foi feita a coleta de sangue dos participantes. Os resultados mostraram que a suplementação causou resistência à privação de coenzima Q10, induzida pelo exercício. Além disso, a substância foi associada à redução de radicais livres e preservação da integridade do DNA. Entretanto, vale destacar que a suplementação não foi capaz de melhorar o desempenho físico ou reduzir o dano muscular nos atletas.

3. Melhora nos sintomas da depressão em quem tem transtorno bipolar:

O transtorno bipolar também foi objeto de análise entre os estudos com coenzima Q10. De acordo com o trabalho realizado no Irã, houve melhora nos sintomas de depressão após oito semanas de tratamento com coenzima Q10 (200 mg ao dia). A análise foi feita com 69 pacientes com transtorno bipolar, associado a episódio depressivo. A grau de depressão dos participantes foi avaliado com base na escala de classificação de depressão (Montgomery-Asberg) logo no início do estudo, depois quarta semana e, por fim, na oitava semana do estudo.

4. Ação antioxidante:

Em 2019, pesquisadores investigaram os efeitos da suplementação com coenzima Q10 sobre o estresse oxidativo e a atividade de enzimas antioxidantes. O trabalho foi realizado com voluntários expostos ao cádmio tóxico, um tipo de metal prejudicial à nossa saúde. A suplementação com 120 mg diárias de coenzima Q10, quando comparado ao placebo, indicou uma redução significativa no estresse oxidativo e no aumento na atividade das enzimas antioxidantes, como superóxido dismutase e glutationa peroxidase.

 

Como a coenzima Q10 age no organismo?

A substância atua nas mitocôndrias, organelas presentes nas células do corpo, participando do transporte de elétrons durante a cadeia respiratória. O nutricionista Felipe Cardoso, doutor em Ciências Nutricionais pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e professor da Faculdade Bezerra de Araújo, explica que isso significa que a coenzima Q10 controla essa passagem dos elétrons, evitando oxidação, danos nas membranas celulares e promovendo uma boa concentração de água nas células. Por causa da sua localização intracelular (dentro das mitocôndrias), tecidos e órgãos com maior necessidade energética —neurônios, músculos, fígado e rins — se beneficiam mais da sua presença.

Diferente da coezima Q10, o Idebenone tem propriedades e mecanismos de ação distintos. A idebenona é um potente antioxidante e inibidor da peroxidação lipídica. Antioxidantes são substâncias capazes de atrasar ou inibir a oxidação de um substrato oxidável. O papel dos antioxidantes é proteger as células sadias do organismo contra a ação oxidante dos radicais livres. É importante ressaltar que facilita o fluxo de elétrons diretamente para o complexo III, ignorando o complexo disfuncional I da cadeia respiratória mitocondrial, aumentando assim a produção de adenosina trifosfato (ATP).

Idebenona pode, assim, melhorar a produção bioenergética pela cadeia respiratória na presença de um defeito do complexo mitocondrial.

Um corpo crescente de evidências publicadas indica que a idebenona é eficaz e segura para o tratamento de pacientes com LHON

O tratamento com idebenona demonstrou ser eficaz, seguro e bem tolerado.

Em uma reunião de consenso internacional de 2016 sobre o uso de idebenona no LHON, foi recomendado que os pacientes com LHON fossem tratados, se em um ano a partir de sintomas que afetam o segundo olho, com idebenona 3 × 300 mg / d, por pelo menos 1 ano, e o tratamento deve ser continuado nos respondentes até que se alcance um platô de 1 ano.

 No estudo clínico randomizado controlado por placebo do RHODOS (Rescue of Hereditary Optic Disease Optic Disease), 85 pacientes com LHON foram incluídos nos primeiros 5 anos após o início dos sintomas e randomizados para idebenona 900 mg / d por 6 meses ou placebo. A idebenona foi bem tolerada e, embora o desfecho primário pré-especificado (melhor recuperação na acuidade visual não tenha atingido significância estatística, todos os desfechos secundários (alteração no melhor VAaquidade visual, alteração do VA do melhor olho na linha de base e alteração do aquidade visual em todos os olhos) mostrou uma tendência à recuperação visual em favor da idebenona. Isso quer dizer que mais estudos poderiam ser benéficos para que cheguemos a uma melhor conclusão sobre os efeitos benéficos do uso do Idebenona para os pacientes Lhon. Isso só será possível se um esforço político e social for feito no sentido de pressionar as autoridades a realizar as devidas aprovações legais para a realização de mais estudos. Por enquanto, é possível ressaltar que a não existência de efeitos colaterais pelo uso do medicamento é um bom indício de que os estudos e testes poderiam ser feitos sem riscos à saúde das pessoas. Ademais, um corpo crescente de evidências mostra que a idebenona é eficaz e segura para o tratamento de pacientes com LHON, incluindo um grande estudo retrospectivo aberto, vários relatos de casos e séries de casos, um programa de acesso expandido e estudos clínicos em andamento pós-autorização. 

Existem, ainda, contudo, várias perguntas a serem respondidas, que ainda não foram devidamente pesquisadas.

1. Duração ideal do tratamento. Um período de tratamento mais longo com idebenona pode oferecer benefício terapêutico adicional e pode levar a uma recuperação significativa da visão, mesmo se os pacientes tiverem estabelecido doença e severa perda de visão no início do tratamento.  Em um grande estudo retrospectivo, os determinantes de melhor prognóstico para a recuperação visual foram o início precoce do tratamento e um curso de tratamento mais prolongado. O tempo médio de recuperação foi de cerca de 17 meses após o início do tratamento com idebenona. 

2. Janela de tempo máximo desde o início dos sintomas até o início do tratamento com idebenona. É provável que a terapia com idebenona tenha maior impacto quando iniciada precocemente, pois a perda de células ganglionares da retina ainda é mínima na fase inicial da doença. Atualmente, não há evidências robustas para apoiar o uso de idebenona em pacientes com perda visual de longa data, e isso merece mais pesquisas.

3. A neuropatia óptica hereditária de Leber pode tornar-se sintomática em crianças menores de 10 anos e também em pacientes com LHON de início tardio, que são mais propensos a múltiplas comorbidades e polimedicamentos. Para ambos os grupos de pacientes, são necessários dados robustos sobre o uso da idebenona. Os dados publicados sobre o tratamento de crianças com LHON com idebenona, ou idosos, consistem principalmente em relatos de casos. 

4. Um biomarcador para prever a resposta do medicamento ao tratamento com idebenona não está disponível no momento e ainda exigirá mais pesquisas.

5. Não foram realizados estudos sobre o uso da idebenona como profilaxia em portadores de mutações assintomáticas de uma mutação LHON.

6. Dados anedóticos sobre o uso de idebenona em pessoas vivendo com Neuropatia Ótica hereditária de Leber- LHON-plus  foram publicados, mas são insuficientes para avaliar um possível efeito da idebenona nas manifestações extra-oculares. O mesmo se aplica ao efeito da idebenona em pessoas com doença semelhante à esclerose múltipla (EM) LHON + (MS) (“doença de Harding”).  Um paciente com LHON e doença do tipo MS foi relatado por Carelli et al,  cujo VA melhorou após 6 meses de tratamento com idebenona. Com relação ao possível efeito sobre as características extra-neurológicas de início recente, foi relatado um paciente do sexo masculino, 31 anos, com melhora da paraparesia espástica, iniciada 1 semana antes do início da idebenona, e sem efeito na perda da visão, iniciada 7 anos antes. 

7. O número de cópias do DNA mitocondrial e a biogênese mitocondrial demonstraram estar associados à penetrância incompleta no LHON, com alto conteúdo de mtDNA associado a portadores de mutação no LHON não afetados.  O número de cópias do mtDNA pode ser um determinante da conversão em doença nos portadores da mutação LHON, e a influência da biogênese mitocondrial tem sido sugerida como uma possível estratégia terapêutica a ser avaliada. Foi recentemente demonstrado que, em circunstâncias específicas, a idebenona pode afetar a biogênese mitocondrial,  mas mais pesquisas são necessárias para elucidar ainda mais isso.

 

Próximos passos da pesquisa de Uso de Idebenona no Neuropatia Ótica Hereditária de Leber-LHON

Atualmente, existem estudos de pesquisa pós-autorização de fase IV em andamento para avaliar a eficácia e segurança a longo prazo do tratamento com idebenona (Raxone ® ) em pacientes com LHON.

O estudo LEROS (“Estudo de intervenção aberto externo controlado por história natural controlada para avaliar a eficácia e a segurança do tratamento a longo prazo com Raxone em pacientes com LHON”) é um estudo intervencionista aberto do uso de idebenona em pacientes com LHON up até 5 anos após o início clínico (NCT02774005).

Como grupo de controle do estudo LEROS, os dados estão sendo coletados em um estudo CRS (“Levantamento histórico de registros de casos de dados de acuidade visual de pacientes com LHON”), que é um estudo retrospectivo observacional de uma coorte de pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON que não tiveram foi tratado com idebenona.

Além disso, um estudo não intervencionista está em andamento, o estudo PAROS, “Estudo de Segurança Pós-Autorização com Raxone em Pacientes com LHON” (NCT02771379), que visa avaliar o perfil de segurança a longo prazo e a eficácia a longo prazo da idebenona no tratamento de pacientes com LHON quando usados em condições de atendimento clínico de rotina.

Suporte de pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber- LHON

O tratamento de pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber com LHON também envolve manejo de suporte, incluindo auxílios visuais e reabilitação, prevenção de fatores de risco ambientais, como tabagismo e consumo excessivo de álcool, e reconhecimento e tratamento precoces de comorbidades psiquiátricas, como depressão reativa.

Outros tratamentos para pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON atualmente sendo testados em ensaios clínicos de fase III

Atualmente, existem ensaios clínicos de fase III em andamento para avaliar a eficácia e a segurança da terapia gênica de uma única injeção intravítrea de um vetor viral (vírus adeno-associado) transportando o gene ND4 dotipo selvagem, em pacientes com LHON causada pela mutação m. 11778G> A, no primeiro ano após o início dos sintomas. Estão em andamento estudos clínicos clínicos randomizados, com dupla máscara e controle falso, para avaliar a eficácia de uma única injeção intravítrea de GS010 (rAAV2- ND4 ) em pacientes afetados por LHON devido à mutação m.11778G> A, nos primeiros 6 meses após o primeiro sintoma (GS-LHON-CLIN-03A, RESCUE) (NCT02652767) ou entre 6 e 12 meses após o primeiro sintoma (GS-LHON-CLIN-03A, REVERSE) (NCT02652780).

Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2326-45942017000100707

Estratégias de tratamento

Pesquisas recentes sugerem que o estrogênio pode proteger as mulheres portadoras de uma mutação LHON. Mulheres portadoras de LHON, bem como as afetadas pela condição, podem querer ler este artigo e discutir suas implicações com seus médicos.

LHON e artigo de estrogênio

LHON e estrogênio-vídeo

AVISO IMPORTANTE

Evite realizar “tratamentos com células tronco” para “curar” a LHON e outros transtornos mitocondriais instituições sem produção acadêmica e cientifica.

A terapia com células-tronco é o uso de células-tronco para tratar ou prevenir uma doença ou condição. [1] A partir de 2016 , a única terapia estabelecida usando células-tronco é o transplante de células-tronco hematopoiéticas (TCTH). [2] Isso geralmente assume a forma de um transplante de medula óssea , mas as células também podem ser derivadas do sangue do cordão umbilical . Estão em andamento pesquisas para desenvolver várias fontes de células-tronco, bem como aplicar tratamentos com células-tronco para doenças neurodegenerativas [3] e condições como diabetes e doenças cardíacas .

A terapia com células-tronco tornou-se controversa após desenvolvimentos como a capacidade dos cientistas de isolar e cultivar células-tronco embrionárias , criar células-tronco usando transferência nuclear de células somáticas e seu uso de técnicas para criar células-tronco pluripotentes induzidas . Essa controvérsia está frequentemente relacionada à política do aborto e à clonagem humana . Além disso, os esforços para comercializar tratamentos baseados no transplante de sangue armazenado no cordão umbilical têm sido controversos.

Até o momento alguns fatores impedem a realização da terapia genética, são eles:

1. Ainda é impossível que as células injetadas no sangue ou no líquido cefalorraquidiano (liquido que envolve o cerebro) cheguem ao local em que pertencem à retina. Retina é uma parte do olho responsável pela formação de imagens, ou seja, pelo sentido da visão. É como uma tela onde se projetam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico.

2. As Células Ganglionares são um tipo de neurônio encontrado na retina. As células ganglionares constituem a única saída de informações visuais da retina, uma vez que seus axônios se unem e formam o nervo óptico. por serem o grupo de células mais complexo do corpo, até o momento, não há como fazer as células se tornarem Células Ganglionares da Retina9, as células que se atrofiam no LHON;

3. reconstruir estas células  não significa nada se eles não sabem onde seus axônios precisam se conectar. O axónio ou axônio é uma parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos que partem do corpo celular, até outro local mais distante, como um músculo ou outro neurônio.

Cuidados

Muitos especialistas sugerem que as pessoas portadoras de uma das mutações genéticas da LHON, tanto portadoras quanto afetadas, devem evitar fatores ambientais que possam criar estresse adicional sobre a mitocôndria. Esses fatores incluem: fumaça (todas as formas –fogões a lenha, fogueiras, cigarros, cachimbo, charuto, maconha, incensos etc.), Álcool, Antimicrobianos (Eritromicina, Ethambutol, Linezolide, Cloranfenicol, Aminoglicosídeos, Tetraciclinas, Oxigênio Hiperbárico), Compostos Quaternários de Amônio, Lactato de Ringer.

A prática de exercícios físicos e uma alimentação moderada e equilibrada são elementos que devem ser inseridos na vida das pessoas vivendo com Neuropatia Ótica Hereditária de Leber LHON. A prática de exercício melhora a desenvoltura da pessoa nas práticas da rotina diária, combate a depressão, diminui a fadiga típica da pessoa com LHON, além de melhorar o desempenho da respiração celular.

 

Confusões associadas à LHON

Por ser uma doença rara e ainda pouco pesquisada, ela é pouco conhecida pela sociedade, pela própria comunidade médica e, até mesmo, pelas próprias pessoas s desta condição . Até mesmo o nome “LHON” pode causar confusão! A Neuropatia Óptica Hereditária de Leber – LHON é frequentemente referida pela sigla composta por suas iniciais em inglês: “L-H-O-N”. Entretanto, também é conhecida simplesmente como “Leber”, nome do médico alemão que primeiro descreveu o distúrbio (Theodoref Leber). Esse mesmo médico também descreveu uma condição ocular completamente diferente denominada Amaurose Congênita de Leber, que também é de origem genética, mas afeta a retina e não o nervo óptico. As duas condições não têm nada em comum, uma com a outra, além do nome do médico que as descobriu. Por este motivo, é importante ter certeza de que você está se referindo corretamente à Neuropatia Óptica Hereditária de Leber – LHON quando alguém lhe fala sobre a “Leber”. Essa simples informação é importante, afinal cada doença é tratada por especialidades médicas diferentes e possuem tratamentos diferentes. Ou seja, uma pessoa com Neuropatia Óptica Hereditária de Leber – LHON deve procurar o neuro-oftalmologista. A pessoa  por Amaurose Congênita de Leber deve ser acompanhada por um médico retinólogo.

Contato

Instituto Reconvexo

reconvexo@ireconvexo.com.br

+55 (11) 99547-3306

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